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Todo organizador de evento sabe montar um cronograma, fechar patrocínio e contratar atrações. O que muita gente ainda trata como detalhe é quem fica na linha de frente no dia: seguranças, brigadistas, recepção, equipe médica, staff de acessibilidade. É justamente aí, no contato humano, que um evento bem planejado no papel vira notícia pelo motivo errado.

Nos últimos anos, uma sequência de casos ganhou destaque na imprensa brasileira e escancarou um padrão: quando a equipe não é treinada, a falha não fica pequena. Ela vira omissão de socorro, episódio de preconceito, processo na justiça e crise de imagem. Reunimos alguns desses casos, não para apontar culpados, mas para mostrar o que o despreparo custa e por que capacitar quem opera o evento não é gasto, é proteção.

Quando faltar preparo vira omissão de socorro

O caso mais emblemático dos últimos anos é o de Ana Clara Benevides, de 23 anos. Ela passou mal e morreu durante o show da Taylor Swift no Rio de Janeiro, em novembro de 2023, num dia de calor extremo. Depois da tragédia vieram os relatos: público com dificuldade de acesso à água, demora no atendimento, gente passando mal na plateia sem resposta rápida da estrutura. A repercussão foi nacional e internacional, e o episódio forçou uma discussão pública sobre protocolos de emergência em grandes eventos.

Não foi um caso isolado. No show do Guns N' Roses, a família de um ambulante que morreu durante o evento alega que havia equipe de resgate disponível, mas que o atendimento não chegou a tempo. A ação corre na justiça, e o argumento central é duro: com socorro adequado, a morte poderia ter sido evitada.

O ponto em comum entre os dois casos não é a ausência de estrutura. É a diferença entre ter equipe e ter equipe que sabe agir. Um brigadista existe para reconhecer um mal súbito e acionar o fluxo certo em segundos. Um staff treinado sabe que restringir água num dia de calor de 40 graus não é regra de segurança, é risco de vida. Protocolo escrito no papel não salva ninguém se quem está no chão não foi treinado para executá-lo sob pressão.

Quando o despreparo vira preconceito

A outra face do mesmo problema aparece na forma como a equipe trata o público. Aqui, o treinamento falho não mata, mas humilha, e vira denúncia.

No Festival de Parintins, em 2025, o jornalista Marcelo Rocha denunciou ter sido vítima de racismo e agressão por parte de seguranças enquanto cobria o evento na área de imprensa. O caso repercutiu e levou a organização a se pronunciar publicamente, reforçando que não tolera práticas discriminatórias.

Situação parecida no Festival de Verão, na Bahia: o publicitário Roberto Junior relatou uma abordagem agressiva de seguranças que resultou em ferimentos, e registrou boletim de ocorrência apontando motivação racista. Em ambos os casos, o profissional que deveria garantir a segurança de todos se tornou a fonte da violência.

Abordagem de segurança é uma das tarefas mais delicadas de um evento. Exige critério, controle emocional e noção clara do que é suspeita legítima e do que é viés. Sem treinamento específico, o segurança age pelo instinto, e o instinto, quando não é educado, reproduz o preconceito que a pessoa carrega. O resultado é um cliente humilhado, um vídeo viralizando e uma marca associada ao racismo por dias.

Quando a equipe não sabe nem por onde começar

Há ainda um terceiro tipo de falha, mais silenciosa, mas igualmente reveladora: a equipe que simplesmente não sabe lidar com parte do público.

Relatos de pessoas com deficiência em grandes shows, do Lollapalooza a apresentações em arenas como a da Baixada, no show do Luan Santana, apontam para o mesmo problema. Áreas de acessibilidade com obstáculos para cadeira de rodas, acompanhantes obrigados a se separar da pessoa que assistem, e o detalhe que resume tudo: funcionários que não sabiam sequer o que significa a sigla PCD (pessoa com deficiência). Em alguns casos, produtoras já foram condenadas na justiça por falhas de acessibilidade.

Acessibilidade não é só rampa e banheiro adaptado. É staff que sabe receber, orientar e resolver. De nada adianta a estrutura física existir se a pessoa na entrada não entende para que ela serve. O despreparo aqui não aparece como agressão nem como tragédia, mas como um recado claro para uma parcela do público: esse evento não foi pensado para você.

O denominador comum: gente, não infraestrutura

Se olharmos os casos lado a lado, quase nenhum deles foi causado por falta de estrutura. Havia segurança, havia equipe médica, havia área de acessibilidade. O que faltou foi preparo de quem operava tudo isso.

Essa é a parte incômoda para quem organiza eventos: o investimento em estrutura é visível e vira foto bonita no relatório. O investimento em treinamento é invisível quando dá certo e só aparece quando dá errado. Ninguém elogia um evento porque o brigadista agiu rápido, mas o Brasil inteiro fica sabendo quando ele não age.

Capacitar equipe é o que transforma um plano de contingência em resposta real. Envolve pelo menos quatro frentes:

Onde entra o EVER

Os casos que viraram manchete têm todos a mesma lição: a reputação de um evento não se decide no palco, se decide no portão, na área médica, na abordagem da segurança e na recepção da pessoa com deficiência. E tudo isso depende de uma coisa só, gente preparada. É nesse ponto que o EVER, o Instituto Evento Responsável, atua com duas frentes desenhadas exatamente para o que os casos acima expõem.

A primeira é o Ever Educa, a frente de treinamentos do EVER. É onde a equipe que fica na linha de frente aprende, na prática, o que separa um plano de contingência de uma resposta real: reconhecer um mal súbito e acionar socorro em segundos, conduzir uma abordagem de segurança sem viés e sem violência, e receber o público com deficiência sabendo o que fazer, e não descobrindo na hora o que significa PCD. Nenhum dos episódios que viraram notícia aconteceu por falta de estrutura. Aconteceram por falta de preparo de quem operava essa estrutura, e é esse preparo que se constrói com capacitação contínua.

A segunda é o Selo Ever de Responsabilidade Social e Governança, o reconhecimento de que o evento não só planejou o cuidado, mas está pronto para executá-lo. O selo não avalia apenas o que está escrito no plano: ele olha para a operação real, para as equipes treinadas e para os protocolos funcionando no dia. Para o público, é a diferença entre confiar na promessa e confiar na prática. Para o patrocinador, é a garantia de que a marca dele não vai parar no noticiário pelo motivo errado.

No fim, a conta é simples. Treinar a equipe pelo Ever Educa é mais barato que uma crise. Carregar o Selo Ever é mais barato que uma reputação destruída. E os dois juntos são muito mais baratos que uma tragédia.